Recentemente fomos presenteadas por uma turma de Relações Públicas da UNISA (Universidade de Santo Amaro) que nos escolheu como objeto de seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), como primeiros clientes da agência experimental Dynamus. Além de nos entrevistar e recolher todos os dados da empresa, o grupo entrevistou também o público – nossos clientes e potenciais clientes na Raízes Artesanato.
Os resultados foram muito interessantes e, em especial, compartilho com vocês as respostas e análise à pergunta: por que comprar um artesanato?
“De acordo com a pesquisa, aplicada com pessoas que adquirem artesanato via internet, foi identificado que a finalidade da compra é justificada para uso pessoal, para presentear, decorar (casa/ escritório), enfeitar, permitir a originalidade, coleção, revenda e apreciação. Estes fatores são identificados com base na teoria de Maslow, que estudou os estímulos de compra e os classificou em necessidades fisiológicas, de segurança, de afeto, estima e realização pessoal”.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….”Estes “Estes pontos se enquadram em afeto, no qual o individuo busca agradar o outro, de modo a criar e fortalecer os laços, e em realização pessoal, buscando agradar-se, caso encontre algum artigo interessante para comprar. Outro ponto identificado na pesquisa foi acerca dos conceitos de valorização, reconhecimento e exclusividade em relação às peças artesanais, por todo o trabalho que envolve a criação e o desenvolvimento de uma peça. A pesquisa também identificou pessoas que trabalham com artesanato e para esses entrevistados, a finalidade de comprar e promover a troca de experiência, trás a possibilidade de aprender com o objeto adquirido, revenda ou por admiração o trabalho do artesão, o que contribui com a compra. Do total da amostra [200 pessoas], apenas 04 pessoas nunca compraram um artesanato”. (BELIZÁRIO et al, 2011:94)
Além disso, a pesquisa investigou o peso da causa na decisão de compra.
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….. As vantagens atribuídas a compra de artesanato pela internet podem ser observadas no infográfico criado pelos autores do TCC:
………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. Estas, entre outras colocações do grupo estão sendo muito úteis na nossa atual fase de reestruturação institucional. Agradeço a Carolina Belizário, Fernanda Porta, Luiz Gouveia e em especial a Carol Macedo – turma da UNISA responsável pelo TCC. Ficou muito bom, pessoal! Valeu!!!
Referência:
BELIZÁRIO, Carolina V.; ALVES, Carolina M. B.; SILVA, Fernanda P. N. F.; GOUVEIA, Luís Antônio. Raízes Artesanato. Monografia de graduação apresentada para conclusão do curso de Relações Públicas. Universidade de Santo Amaro: São Paulo, 2011.





















e colaboradora Nice, funcionária da SEDESE (Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado) regional Vale do Jequitinhonha. Nice, uma baiana genuína na energia e simpatia, nos indicou os melhores artesãos da região. Entre um gole e outro de café, descobrimos artesãos que ainda não tínhamos contatado e aprendemos um pouco mais sobre a cultura local e o acesso às comunidades mais longínquas.
e vida. Na noite anterior conhecemos Vânia Sales, que nos convidou para conhecer seu trabalho com tapetes. Ela aprendeu a técnica há 34 anos e trabalha há 30 em um ateliê/loja abastecido pela arte de mais de 100 artesãos locais. Vânia cria hoje a ASSOARTE, uma associação para conseguir apoio para o trabalho que já desenvolvem, principalmente em relação a transporte para eventos. Seguimos um longo caminho, que incluiu a passagem pela barragem de Irapé e várias aproximações com o Rio São Francisco. Chegamos à cidade de Grão Mogol. Encontramos em sua associação a artesã Elza, que nos contou que o grupo passou por uma reciclagem com o curso de design do SEBRAE. Perceberam que ao redor havia abundância de materiais e de inspiração sendo subaproveitados
. Recentemente o grupo investiu na produção de uma linha de produtos inspirado no cerrado: bordados de cactus, canelas de ema, potes de capim dourado, entre outros. Também usam como inspiração o cotidiano, reproduzindo em miniaturas as casas de pedra da região e a prática do garimpo.
Mais conscientes das distâncias que separam o Vale, optamos por partir às 6. Só assim teríamos alguma chance de cumprir a longa programação do dia. A primeira parada foi em Campo Buriti, na Associação de Coqueiro Campo. Ficamos impressionadas com a quantidade e a qualidade da cerâmica exposta na associação. Conversando com os artesãos que nos receberam (e foi curioso como chegavam à medida em se espalhava o rumor de que havia “forasteiros” na sede), percebemos a grande carência dessa comunidade. Alguns artesão ficam até 5 meses sem vender uma peça, o que inviabiliza o sonho deles: viver de artesanato. A “roça”, como se referem à agricultura de subsistência que praticam, ainda é o principal complemento.
Deixamos a pousada às 9 da manhã, rumo à Associação de Artesãos de Araçuaí. Quem nos recebeu foi Elizângela, prima de Lira – famosa por suas máscaras. A também artesã, nos apresentou seu trabalho e de outros colegas. Não resistimos ao cristo lavrador de Orisvaldo, uma poética representação do sofrimento desses trabalhadores talhado em madeira e com direito a versão feminina. Outra aquisição digna de nota foi o violeiro de cerâmica. Produzido por Marlene para o Festivale, evento mais famoso da região, o simpático personagem negro, canta alegremente (com a língua pra fora) enquanto toca sua viola.
nte, Estação da Luz, encontramos o grupo ArteLuz. Trata-se de um grupo de mulheres que trançam maravilhosas caixas em Taboa. Gracinha nos recebeu em sua casa e nos apresentou a Mira, presidente da Associação, e Maria Pretinha, um simpática artesã de 105 anos! Essas mulheres trançavam esteiras de preços irrisórios. Um trabalho duro e completamente desvalorizado. Com a ajuda do grupo ArteSol elas aprenderam a trançar caixas e balaios, ganhando um diferencial e conseguindo um melhor preço para seus produtos. A distribuição ainda é um gargalo, pois não têm contatos significativos para comercialização. O modo de vida dessas mulheres nos emocionou, principalmente por percebermos a importância dessa atividade para o bem estar de tantas famílias da comunidade.
Fomos então para Almenara, onde participamos do Simpósio Regional de Artesanato, organizado pelo SEBRAE.
Hora de partir… Caminhonete cheia de obras de arte, a cabeça lotada de idéias, ansiosa para colocá-las em prática e o coração transbordando de carinho por essa gente e por esse lugar que tivemos o privilégio de conhecer.



